A pesquisa mudou. E as marcas, acompanharam essa alteração?
Até há bem pouco tempo, quem procurava um restaurante ou um turismo rural na Serra de São Mamede abria o Google, percorria uma página com uma lista de links, via aqueles que lhe chamavam mais à atenção e tomava uma decisão. Hoje, cada vez mais as pessoas fazem a pergunta diretamente a uma inteligência artificial: “Onde posso passar um fim de semana tranquilo no Alto Alentejo?” De uma forma praticamente imediata recebem uma resposta pronta, com dois ou três nomes recomendados.
A escala já não é marginal. O ChatGPT chegou aos 900 milhões de utilizadores semanais em fevereiro de 2026¹. Os resumos de IA do Google (AI Overviews) ultrapassaram os 2,5 mil milhões de utilizadores mensais em maio².
Em Portugal, a adesão já está acima da média europeia. Segundo o INE, 38,7% das pessoas entre os 16 e os 74 anos usaram ferramentas de IA entre maio e agosto de 2025³, contra 33% na União Europeia⁴. Entre os 25 e os 34 anos, o valor sobe para 62,6%³, e um estudo da Bain & Company indica que 62% dos portugueses usam IA generativa com regularidade⁵.
Por isso, neste momento, a pergunta para qualquer negócio passou a ser outra. Quando alguém pede uma recomendação à IA, qual a marca que aparece? É aqui que entra o GEO.
GEO e SEO, qual a diferença?
GEO (Generative Engine Optimization, ou otimização para motores generativos) consiste em preparar a presença digital de uma marca para que as ferramentas de IA a encontrem, compreendam e citem nas suas respostas. Falamos de ferramentas como o ChatGPT, do Gemini, do Claude, do Perplexity e até mesmo os resumos IA do Google.
O SEO tradicional procura colocar uma página no topo de uma lista de resultados, por outro lado o GEO procura adicionar a marca dentro da própria resposta. Segundo a BrightEdge, apenas cerca de 17% das fontes citadas nos resumos de IA do Google estão também no top 10 orgânico para a mesma pesquisa⁶, ou seja, estar na primeira página do Google já não garante ser recomendado pela IA.
A boa notícia é que o GEO não substitui o SEO, constrói-se a partir do SEO. Um site rápido, bem estruturado e com bom conteúdo continua a ser a base de tudo.
O GEO está hoje onde o SEO estava há quinze anos, quem começa cedo cria uma vantagem que depois é difícil de recuperar. A diferença é que, desta vez, a evolução está a acontecer muito mais depressa.
Fontes
- 1.OpenAI, número de utilizadores semanais do ChatGPT anunciado em fevereiro de 2026. anúncio reportado pela TechCrunch
- 2.Google, discurso de abertura de Sundar Pichai no Google I/O 2026, maio de 2026. Ver fonte
- 3.INE – Instituto Nacional de Estatística, Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias 2025, novembro de 2025. Ver fonte
- 4.Eurostat, “Use of artificial intelligence by individuals”, dados de 2025. Ver fonte
- 5.Bain & Company, “European Consumer Gen AI Sentiment & Behaviour”, último trimestre de 2025. estudo reportado pelo Jornal Económico
- 6.BrightEdge, “AI Overviews at the one-year mark: presence, size and citations”, 2026. Ver fonte


